11 da noite, a campainha do apartamento tocava insistentemente, rompendo o silêncio absoluto que se fazia naquele fim de inverno. Estava escuro e o luar que entrava pela janela da sala indicava o caminho até a porta. Pelo olho mágico percebi a silhueta de uma mulher. Abri a porta e foi com surpresa que pude ver quem estava parada a minha frente. Seu cabelo dourado tocava os ombros, vestia uma calça jeans desbotada e uma blusa azul que deixava as costas completamente nuas. - Não diga nada, disse Sabrina. Seus olhos amendoados e sua voz firme me deixaram imóvel, ela segurou minha mão e antes que esboçasse qualquer reação me beijou. Atônito e sem acreditar no que estava acontecendo imaginei que seria um sonho, mas o perfume levemente doce e a pequena mordida nos meus lábios me convenceram do contrário. E foi com um sorriso no canto da boca que ela me perguntou:
- Não me convida para entrar?
- Claro, claro. Respondi.
- Senti muito sua falta. disse ela.
- Você sumiu. Respondi acendendo o pequeno abajur no canto da sala.
- Estive em Montevidéu ajudando meus pais, achei que não voltaria mais ao Brasil.
- E quando você voltou? perguntei.
- Cheguei há dez dias e me contaram que você ainda estava aqui, morando num apartamento na zona sul da cidade. Não quis perder mais tempo. Disse acendendo um cigarro ao mesmo tempo em que segurava a franja loira na altura do queixo.
A conversa com Sabrina durou o tempo de meia garrafa de vinho merlot que descansava fria no fundo da geladeira. Enquanto All of me tocava no antigo receiver e relembravamos o passado na nossa juventude, deitamos no rastro da lua, no meio da sala, alí passamos o resto da noite. Ela apoiou seu rosto por sobre o meu peito e suas pernas por sobre as minhas, não éramos estranhos, fomos cúmplices do nosso destino a vida inteira mas nunca nos demos conta disso. - Não vou te deixar mais, falou Sabrina acariciando meu peito. A Meia-noite em ponto o relógio parou, nesta hora nos tornamos um, o mundo também parou um pouco nesse momento e somente as sombras se moviam lentamente. A madrugada terminou molhada pela chuva e pelo prazer.
- Estou com sono. Ela disse.
Deitou sobre mim e dormiu docemente, o alvorecer azulado trouxe também meu descanso e de novo a vontade de sonhar.
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