Manhã fria, naquele alvorecer de inverno o vento frio entrava pela varanda trazendo consigo o barulho calmo das ondas e o cheiro do mar. Ainda não havia sol e o céu cinzento era um prenúncio do dia que estaria por vir. A casa ficava em uma praia ao sul de Alagoas, estava vazia e o silêncio era pleno,interrompido somente pelo barulho dos coqueiros acariciados pelo vento e pelas aves pescadoras, naquela manhã senti como se tudo já me bastasse, não precisa de mais nada, a não ser dos meus sentidos. Como de costume os gatos, habitantes daquele lugar, se fizeram presentes dormindo aos pés dos lençóis, na cama larga, coberta pelo endredon branco dormia uma mulher branca de cabelos revoltosos, tinha no corpo toda a doçura e todo cheiro das flores que teimam em acordar nos dias de Agosto. Dela resplandecia o sol que se escondia por trás da nuvens, tê-la em meus braços, sentindo sua pele nua era como ter a certeza do firmamento, a vida despida de todos os fetiches encontrava um sentido pela sua existência. Naquela manhã tudo que realmente importava estava ali, naquele quarto, a brisa leve, o som do mar, os gatos e a linda mulher que sonhava amar.